Consulta Psico

Agosto 10, 2008

Pudim de Cachaça !

Arquivado em: Consciência, Relacionamentos — Tags:, , , — paulovazz @ 12:09 am

Nesta sexta, 08 de agosto, a Folha Online comentou sobre a Lei Maria da Penha, que pune com mais rigor as agressões contra a mulher no ambiente familiar. E lá estava um comentário de um juiz do Rio Grande do Sul, contrário a esta lei, que “recomendou às mulheres, como ’melhor forma’ de proteção contra a violência doméstica, não escolherem ‘homem bagaceiro e pudim de cachaça’ .

Sem entrarmos nos meandros juridicos, quero comentar esta escolha, não tão doce, e nem tão facilmente evitável. Por que alguém faria uma escolha que claramente implica em problemas futuros ? Várias as razões. 

Muitas vezes vemos no outro qualidades que nós queremos e acreditamos que ele tenha, quando realmente não as possui. O amor é cego, diz o provérbio. Queremos que o outro seja o Príncipe ou a Princesa e distorcemos nossa própria percepção.

Hoje, porém, vamos dar mais atenção a uma outra possibilidade – quando reconhecemos sim, os problemas do outro, por vezes sérios: alta agressividade, álcool, jogo, drogas, um histórico complicado de relacionamentos desfeitos. Contudo, acreditamos que o nosso amor irá auxiliá-lo a se corrigir, a evoluir, a se tornar uma boa pessoa.

De imediato, não estamos estabelecendo uma relação com a pessoa atual e sim com a pessoa futura, aquela que nos propomos a moldar. Em outras palavras, estamos nos relacionando com uma fantasia, com uma pessoa imaginada !

Mais ainda, as pessoas que se mantêm em padrões auto-destrutivos, normalmente se consideram vítimas: ou de uma família que não as compreende, ou de um chefe que as intimida, ou de doenças que lhes afligem. Encontram perseguidores os mais diversos pelo mundo afora. E se aparecem em suas vidas pessoas que as protegem, que aceitam seus comportamentos nitidamente errados, seus aspectos perversos, que as desculpam, que não as tratam com uma firmeza adequada, verdadeiros salvadores, forma-se uma ligação muito forte.

 E aqui retornamos ao ponto de como evitar tais escolhas. Quase todos conhecem aquela pessoa que abandonou um relacionamento para, pouco tempo depois, entrar noutro muito semelhante. Trocou seis por meia dúzia, dizem os amigos.

Ampliar a consciência, pensar em seus próprios valores. Perceber qual o seu comportamento na relação, qual papel desempenha. Trato o outro como se fosse um pai ou uma mãe (ou exijo do outro este tratamento ? Ou como se fosse um filho, uma filha ? Ou nosso relacionamento é maduro, equilibrado ? Estes questionamentos ajudam a ampliar a qualidade de nossas escolhas.

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